Fluxo de caixa para iniciantes: guia gratuíto com planilha do Sebrae
15 de dez. de 2025
O que é fluxo de caixa (em português claro)
Fluxo de caixa é o controle de tudo que entra e sai de dinheiro da empresa em um período: dia, semana ou mês. Você registra receitas (vendas, serviços, recebimentos) e despesas (fornecedores, aluguel, salários, impostos etc.).
O Sebrae Santa Catarina define o fluxo de caixa como uma das ferramentas mais importantes do planejamento financeiro, porque ele ajuda a prever, controlar e ajustar as finanças tanto em empresas novas como nas que já estão rodando.
Na prática, um fluxo de caixa bem feito permite:
saber se vai faltar ou sobrar dinheiro nos próximos dias;
planejar pagamentos sem ficar no aperto;
decidir se dá para investir, contratar ou precisar segurar as despesas.
Tipos de fluxo de caixa (e qual faz sentido para você agora)
O Sebrae explica alguns tipos principais de fluxo de caixa:
fluxo de caixa operacional
foca nas entradas e saídas do dia a dia (vendas, pagamentos de fornecedores, contas fixas). É o mais básico e o que você precisa começar usando.
fluxo de caixa direto
mostra de forma simples de onde veio o dinheiro e para onde ele foi, registrando as movimentações de forma bruta. É o modelo mais usado por pequenas empresas.
fluxo de caixa indireto
parte do lucro contábil e ajusta informações como depreciação. É mais técnico, costuma ser usado por empresas maiores e relatórios avançados.
fluxo de caixa projetado
olha para o futuro: você usa os dados atuais para prever entradas e saídas dos próximos dias ou meses, planejar investimentos e evitar ficar no vermelho.
Para quem está começando, o ideal é iniciar com fluxo de caixa direto e operacional em uma planilha simples, e depois evoluir para projeções.
Fluxo de caixa em 5 passos (na prática)
passo 1: escolher o período e a ferramenta
Primeiro, você decide com que frequência vai atualizar o fluxo de caixa:
negócios muito apertados de caixa → controle diário;
negócios mais estáveis → diário ou semanal;
no mínimo, mensal, mas quanto mais espaçado, maior o risco de perder o controle.
Depois, escolha a ferramenta:
caderno ou planilha feita por você;
planilhas prontas do Sebrae;
sistemas ou aplicativos financeiros.
Para quem está começando, uma planilha em Excel já resolve. Você pode baixar:
o artigo “Como fazer o fluxo de caixa” do Sebrae, que explica a lógica e boas práticas de forma didática:
o kit de planilha de fluxo de caixa, e-book e infográficos do Sebrae (nacional):
👉 Sebraebacloud.divulga.sebraeba.com.br/download-planilha-fluxo-de-caixa-sebraetalks
Esses materiais já vêm prontos para você só preencher com os dados do seu negócio.
Passo 2: montar a estrutura básica da planilha
Se você for montar sua própria planilha (ou adaptar uma pronta), pense em algo simples e funcional. Uma estrutura bem prática:
data
descrição (ex.: “venda serviço x”, “pagamento aluguel”)
categoria (venda, fornecedor, salário, imposto etc.)
forma de pagamento (PIX, cartão, boleto, dinheiro)
entrada (R$)
saída (R$)
saldo do dia
Dica para deixar mais completo:
se quiser separar melhor, crie abas diferentes por mês;
tenha uma linha de saldo inicial e depois vá somando entradas e saídas para chegar ao saldo final do dia.
O Sebrae também indica o uso de planilhas específicas de contas a pagar e contas a receber, que conversam bem com o fluxo de caixa, ajudando a saber quando cada pagamento e recebimento vai acontecer:
👉 planilhas de contas a pagar e a receber:
Sebrae-sc[Download] Planilhas de contas a pagar e a receber - Sebrae SC (Sebrae Santa Catarina)
Você pode usar essas planilhas junto com o fluxo de caixa para ter uma visão bem completa.
Passo 3: registrar todas as entradas (receitas)
Agora vem o coração do fluxo de caixa: lançar as movimentações. Comece pelas entradas:
Inclua, por exemplo:
vendas à vista (PIX, dinheiro, cartão);
vendas a prazo (boletos, crediário, cartão parcelado);
recebimentos de serviços;
aportes dos sócios;
empréstimos e financiamentos recebidos.
Boas práticas:
registre no dia em que o dinheiro entra de fato no caixa (e não só na data da venda);
diferencie as formas de pagamento (ex.: cartão de crédito cai só depois);
se vender parcelado, lance cada parcela na data em que ela vai cair.
Quanto melhor você registra as entradas, mais fiel será a sua visão de caixa.
Passo 4: registrar todas as saídas (despesas e pagamentos)
Depois das entradas, é hora de lançar todo o dinheiro que sai:
aluguel, água, luz, internet;
fornecedores e compras de mercadoria/insumos;
pró-labore dos sócios;
salários e encargos de funcionários;
impostos;
marketing, ferramentas, aplicativos, manutenção etc.
Algumas dicas importantes:
se for uma despesa fixa mensal, deixe anotado sempre na mesma data (ex.: aluguel todo dia 5);
se for uma despesa variável, lance na data em que for pago;
evite pagar coisas pessoais com o dinheiro da empresa, porque isso bagunça o fluxo de caixa (e a visão do negócio).
De novo, as planilhas de contas a pagar do Sebrae ajudam a controlar o que vai vencer, evitando atrasos e juros desnecessários.
Passo 5: acompanhar o saldo e projetar o futuro
Fluxo de caixa não é só “anotar números”. O objetivo é olhar o saldo e tomar decisões. O Sebrae destaca que, com entradas e saídas bem lançadas, você consegue:
prever se vai faltar dinheiro em algum período;
ajustar a data de pagamentos e recebimentos;
planejar investimentos;
ajustar preços ou cortar gastos se for necessário.
Algumas rotinas que você pode adotar:
conferir o fluxo de caixa todos os dias ou, no mínimo, toda semana;
comparar o que você previu com o que realmente aconteceu (fluxo projetado x realizado);
montar um pequeno fluxo de caixa projetado para os próximos 30 dias, usando o histórico recente.
Com o tempo, isso vira um radar: você passa a enxergar com antecedência se vem uma fase de aperto ou de folga no caixa.
Erros comuns de quem está começando o fluxo de caixa
Só para você não cair nas armadilhas mais clássicas:
lançar só “quando der tempo”
fluxo de caixa atrasado perde o sentido. Melhor fazer simples e diário do que complexo e uma vez por mês.
não registrar pequenos gastos
aquele “só um Uber”, “só um café”, “só um motoboy” pode virar um rombo ao longo do mês se não estiver no controle.
misturar dinheiro da empresa com o pessoal
isso distorce completamente o fluxo de caixa e impede você de saber se o negócio dá lucro.
não olhar para o fluxo projetado
só ver o que já passou é pouco. Um dos maiores ganhos do fluxo de caixa é saber como estará o caixa daqui a 15 ou 30 dias.
Conclusão: fluxo de caixa é simples, mas muda o jogo
Fluxo de caixa não é um “bicho de sete cabeças” reservado para grandes empresas. É uma rotina básica que qualquer MEI ou pequena empresa pode (e deve) ter:
registrar o que entra e o que sai;
olhar o saldo com frequência;
usar esses dados para decidir o que fazer.
Com a ajuda das planilhas do Sebrae e um passo a passo bem claro, você sai do achismo e passa a ter controle real das finanças da sua empresa.
Se você sente que está sempre correndo atrás do prejuízo, sem saber para onde o dinheiro vai, talvez não seja falta de venda — pode ser falta de fluxo de caixa organizado. E é aí que a Adiv pode caminhar com você.
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